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 CAOS COM PROPÓSITO             Dagoberto Lima Godoy A má condução econômica pode não ser apenas um erro de gestão, mas  uma estratégia para subverter a ordem constitucional e instalar um regime autoritário. Um dos caminhos mais insidiosos para isso é a dominância fiscal, um fenômeno que ocorre quando o governo prioriza seus próprios gastos acima da estabilidade econômica, levando ao descontrole inflacionário. O governo acumula déficits insustentáveis e recorre ao Banco Central para financiar suas despesas, geralmente por meio da emissão de moeda. Essa prática desvaloriza a moeda, reduz o poder de compra da população e destrói a confiança no sistema econômico. O resultado? Uma espiral inflacionária que desorganiza a economia, criando condições de caos social. Historicamente, regimes autoritários se aproveitaram de crises econômicas para justificar ações extremas. Na Alemanha dos anos 1920, a hiperinflação abriu caminho para a ascensão do nazismo. ...
  Temos que ser pragmáticos, fazendo o que temos que fazer agora Dagoberto Lima Godoy   Existe muito no meio empresarial uma certa tendência, ao participar da vida política e nas ocasiões eleitorais, de, pragmaticamente, pensar em todas as possibilidades. E um pensamento que possa existir por aí é de que: "Olha, empresário não pode, até fica mal para empresa dele, ele se expor. Porque, vamos que dê o outro lado, como é que eu fico? Eu tenho que ficar bem com todos.” O que eu tenho afirmado é que isto é uma falácia. Empresário jamais ficará bem com uma corrente política que nega a essência empresarial. Que vê no empresário um inimigo da sociedade. Que caminha ainda nas velhas ideias da socialização, da comunização. Que proscreve o capital, que coloca tudo sempre em termos de conflito capital versus trabalho. Isso é uma ilusão. É justamente ao contrário, mesmo para esses que querem ser pragmáticos até o último caminho. Nós temos que ser pragmáticos, fazendo o que tem...
  GAIOLA DOURADA Dagoberto Lima Godoy Cidadão brasileiro   O clima de radicalização que domina o cenário pré-eleitoral faz pensar sobre o que governa posições tão antagônicas. Vem-me a imagem de uma gaiola dourada, tão atraente quando de fora olhada, e ela me faz lembrar de outra prisão, tão enfeitada quanto enganadora. A ideologia é para ser um conjunto de ideias e valores a nos orientar enquanto buscamos a própria felicidade e a inspiração para fazermos a nossa parte na construção de um modo melhor para todos. Mas, cuidado! Ela pode também se apresentar como um sistema astuciosamente montado e ornamentado para nos atrair, tal como as migalhas feitas iscas no alçapão que aprisiona o pássaro.  Mais que as grades da gaiola, que se deixam ver pelo prisioneiro, as barreiras ideológicas são como placas de cristal que, sem que você se dê conta, enquanto o mantêm prisioneiro, filtram as imagens que lhe chegam do mundo lá fora. E esse não é o real, mas a caricatura traçada por l...
  O HOMEM QUER SER DEUS Observando a inquietação que parece afligir a maioria das pessoas, penso que a razão de assim ser é a existência, no ser humano, de uma compulsão para preencher um vazio existencial difícil de identificar. Imagino que tal carência indica que o ser humano tem uma irresistível vocação para participar ativamente da evolução, a mesma que o trouxe desde o estado mais primário da energia-matéria até o estágio atual, em que, por ser dotado de autoconsciência e da capacidade de imaginar e lucubrar, ele se diferencia de tudo quanto o antecedeu. Sri Aurobindo vai mais longe, ao afirmar que essa carência se deve   “ao anseio do homem pela espiritualidade [o que] é uma indicação incontestável da íntima propensão do Espírito interior para emergir, sua insistência rumo ao próximo passo de Sua manifestação”. Pergunto, então, como poderá o homem continuar a evoluir?   Quando satisfará anseio tão elevado? O monge sankaracarya Sri Bharati Krsna nos convid...
MEU PAI   JACINTHO “ Os homens verdadeiramente superiores em qualquer situação da vida, quer por sua indústria ou integridade, quer pela elevação de seus princípios ou pureza e retidão de intenções, impõem espontaneamente respeito. É natural crer em tais homens, ter confiança neles e imitá-los. Tudo que é bom é sustentado por eles, e sem eles não valeria a pena viver neste mundo.” – SAMUEL SMILES     Vê como é a vida ... Teu pai se foi há mais de vinte e cinco anos e tu pensas nele praticamente todos os dias, sonhas com ele muitas e muitas noites, tens na sua lembrança um esteio e um guia ... Mas, quando pedem que tu escrevas alguma coisa sobre ele, vem a perplexidade.   Pôr no papel todas as suas recordações, dizer tudo o que ele significou na tua vida ... Tarefa impossível, além do que qualquer tentativa estouraria o espaço oferecido e espantaria os improváveis leitores.   A saída é procurar a essência. No caso do meu pai, Jacintho, a lembranç...
O ESTADO DE S. PAULO 22 de fevereiro de 2018 A OIT e a reforma trabalhista José Pastore e Dagoberto L. Godoy Provocados por uma denúncia da CUT, um comitê de técnicos nomeados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), sem poder deliberativo, apresentou duas críticas à reforma trabalhista do Brasil no Report of the Committee of Experts on the Application of Conventions and Recommendations, 2018. 1. O Comitê entendeu que a prevalência do negociado sobre o legislado, consagrada pela Lei 13.467/2017, é contrária ao objetivo de promover negociações coletivas livres e voluntárias, constante da Convenção 98 da OIT. Essa crítica demonstra um total desconhecimento da realidade brasileira. A nova lei reafirmou como inegociáveis 30 direitos garantidos pela Constituição e abriu a possibilidade de se negociar livremente 15 direitos, determinando que o negociado seja respeitado pela Justiça do Trabalho. Trata-se, portanto, de uma inegável valorização da negociação coletiva,...
A “inovofobia”, desde bem antes do ludismo As inovações e os avanços tecnológicos sempre chocaram as sociedades estabelecidas, o que se poderia chamar de “inovofobia”. Por isso costumam ser rejeitados, mesmo quando evidentes seus benefícios para a maior produtividade do trabalho humano e, consequentemente, para a esperança de uma melhor qualidade de vida para os trabalhadores. Por isso mesmo, uma invenção como o moinho d’água teve que esperar muitos séculos para ser adotada em larga escala, porque, quando surgiu, no século I A.C., seu uso ameaçou liberar muitos escravos do pilão. E bem antes do pânico dos “ludistas” diante da máquina a vapor e do tear mecânico (na primeira revolução industrial), houve o caso da atitude do imperador Vespasiano. Quando ele reconstruía o Capitólio, um artesão ofereceu-lhe um dispositivo inovador, capaz de transportar as pesadas colunas de mármore, colina acima, poupando o esforço de muitos homens. Que fez o imperador? Deu um prêmio ao inventor, mas.....
Um romance histórico-ficcional sobre a formação da cultura do imigrante italiano, na região da Serra Gaúcha. Disponível em e-book, na Amazon.com.
Competitividade, de que jeito? Diante da globalização da economia, as empresas brasileiras estão acuadas por muitas demandas contraditórias, pouco compreendidas pelos demais setores sociais e, às vezes, mal percebidas pelos próprios empresários. Competitividade é a palavra de ordem, utilizada por todos, porém em contextos e com significados bem diversos, se não, vejamos: Os mesmos governos que franqueiam nossas fronteiras comerciais, justificando a abertura como meio de obrigar-nos a ser mais competitivos, são os responsáveis pela escalada de impostos que, nas três esferas federativas, consome bem mais de 30% do PIB, no custeio de burocracias pouco eficientes e nos juros da dívida pública. Oneram os custos de produção com tributos insaciáveis e pouco ou nada investem para enfrentar as crônicas deficiências de infraestrutura social e econômica. São incompetentes para combater o contrabando e permissivos com a pirataria, disfarçada na informalidade. Não fazem a reforma tribu...
De onde virão os empregos? Em tempos desta sofrida recessão, enquanto a insegurança ataca aqueles que ainda estão empregados e a desesperança abate os já desempregados, uma pergunta se impõe: de onde virão os empregos? Mesmo os keinesianos irredutíveis terão que descartar, nas circunstâncias brasileiras atuais, a opção do emprego público. O ajuste fiscal está no topo da ordem do dia, justamente porque o exagero nos gastos com pessoal, sem a satisfatória contrapartida nos serviços prestados à população, está claramente identificado como uma das principais causas do já insuportável endividamento público. A resposta só pode vir, então, do setor privado. Mas por aí, também, o horizonte anda carregado, como sobrecarregadas estão as empresas nacionais, com a retração dos mercados, os juros escorchantes, os impostos insaciáveis, enfim, o chamado Custo Brasil, que inferioriza a produção brasileira na competição globalizada. Não haverá, então, saída? Tem que haver, ainda que o dese...
A justiça do trabalho e o direito alternativo “O trabalho não é uma mercadoria” — O lema cultuado na Organização Internacional do Trabalho (OIT) baseia-se no fato de que o trabalho humano envolve os valores da dignidade do trabalhador, como pessoa, e da solidariedade com os semelhantes, como virtude do homem civilizado. Nada mais justo, embora fosse mais acertado dizer-se que o trabalho “não deve” ser tratado como mercadoria. Isto porque, na realidade do mercado global, ele é largamente manejado como um insumo produtivo, cujo custo constitui-se em um fator de peso no cotejo das vantagens econômicas comparativas. Sendo inequívoco que a gestão empresarial é diretamente condicionada, positiva ou negativamente, em maior ou menor grau, pelas diversas formas de regulação oficial — entre as quais se destaca a das relações do trabalho —, que variam de país para país, estas passam a constituir-se em diferenciais comparativos, cujos reflexos não podem ser desconsiderados. Por consequ...

Governador Olivio não deixe a Ford Ir embora