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Competitividade, de que jeito?

Diante da globalização da economia, as empresas brasileiras estão acuadas por muitas demandas contraditórias, pouco compreendidas pelos demais setores sociais e, às vezes, mal percebidas pelos próprios empresários. Competitividade é a palavra de ordem, utilizada por todos, porém em contextos e com significados bem diversos, se não, vejamos:
Os mesmos governos que franqueiam nossas fronteiras comerciais, justificando a abertura como meio de obrigar-nos a ser mais competitivos, são os responsáveis pela escalada de impostos que, nas três esferas federativas, consome bem mais de 30% do PIB, no custeio de burocracias pouco eficientes e nos juros da dívida pública. Oneram os custos de produção com tributos insaciáveis e pouco ou nada investem para enfrentar as crônicas deficiências de infraestrutura social e econômica. São incompetentes para combater o contrabando e permissivos com a pirataria, disfarçada na informalidade. Não fazem a reforma tributária, que poderia conceder-nos — ao menos neste campo — alguma isonomia com os privilegiados concorrentes de todo o mundo. E … querem empresas competitivas!
Também no âmbito das relações do trabalho sobressaem as contradições e a confusão de conceitos.
Enquanto a Europa social-democrata revisa seu mito do “welfare state” e suas rígidas regras de contratação do trabalho, a fim de conter o desemprego e recuperar a competitividade; quando até o Japão vê-se obrigado a também rever seus costumes consolidados (como o do emprego vitalício, p. ex.); no Brasil, o que temos? Continua prevalecendo a visão paternalista, encrostada na legislação anacrônica e na velha cultura de políticos e sindicalistas. Estes exigem das empresas eficiência suficiente para pagar impostos, salários, contribuições e benefícios sociais, mas investem com fúria contra a “frieza” e a “insensibilidade” do estressado empresário — muitas vezes forçado a enxugar seu quadro de pessoal —, enquanto defendem com unhas e dentes a manutenção dos encargos que oneram o fator trabalho e compelem à automação.
Por doze anos, como representante dos empregadores brasileiros na Organização Internacional do Trabalho (OIT), em Genebra, lutei para remover a barreira da cultura antiga, que se aferra ao clichê “capital versus trabalho” e vê no empresário, não um empreendedor e articulador dos fatores que fazem o sucesso do empreendimento, mas um ganancioso explorador do empregado “hipossuficiente”. Essa cultura preconceituosa não enxerga a realidade escancarada: empresa bem sucedida, hoje, é aquela que descobriu que, além de conquistar e encantar seu cliente, é indispensável fazer o mesmo com seus colaboradores.
A verdade é que não há bem-estar social sem geração de riqueza; só gera riqueza, no cenário de globalização, a economia competitiva; e não há competitividade sem plena cooperação entre os fatores da produção, com máximo destaque para o ser humano, cada vez menos “mão de obra” e cada vez mais “cérebro de obra”. Urge reformar a legislação preconceituosa, que pressupõe o conflito, a fim de dar espaço à cooperação e à sinergia no seio das empresas, para que elas tenham mais sucesso em gerar riqueza, sem a qual, é sempre bom ressaltar, o bem-estar social permanece utopia.

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